Feliz Natal!

Ocupados demais para fazermos uma pausa e elaborarmos um longo texto sobre fraternidade, significado do Natal e coisas assim. Então, vamos só fazer um desejo básico.

UM FELIZ NATAL A TODOS!!! =)

(Ilustração by Arrakis)

Experimentando com a Rainha Frágil

Fotos que tiramos meio de improviso (“experimentais”) na madrugada de sábado. Repare que a luz negra que utilizei no meu ensaio feminizado sob a luz negra dá um efeito legal na cama, mesmo com uma outra fonte de luz.

escravo roger{RF} feminizado sob a luz negra

Aproveitando uma ida ao Centro, comprei uma coisa que fazia tempo que gostaria de experimentar: luz negra.

Rapaz, é sensacional! É bom para se tirar algumas fotos interessantes.

E para fazer outras coisas interessantes também, é claro. ;)

Halloween 2009

E minha Dona, Rainha Frágil, me levou feminizado à Tim Burton’s Halloween Party 2009!  Meu relato sobre essa excitante experiência, você lê aqui.

Agradecimentos: Léo Oliveira e Manu Chilli

Feminizado no Halloween (2009)

Uma galera se juntou na casa de minha Senhora, a Rainha Frágil. Todo mundo se preparando para o Tim Burton’s Halloween Party, festa temática inspirada nesse sombrio cineasta (“Edward Mãos-de-Tesoura”, “Batman”, “A Noiva cadáver”, “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça”). A maioria não sabia ao certo com que fantasia ir. Sorte serem amigos de um casal sadofetichista como a gente. Emprestamos alguns acessórios e apetrechos nossos para usarem na festa. Adoraram.

A própria Rainha Frágil também ainda não havia se decidido com que visual ir. Ela queria sair de Bruxa. Eu sugeri de Freira, com um açoite e um visual fetichista. Infelizmente, fazia um belo calor e ela resolveu não ir muito “carregada”. Pôs um vestido, um corset negro brilhante, calçou um par de botas, colocou uma joalheria na testa, improvisou um manto e pronto. Virou uma cigana.

Para o meu bem, resolvi ser o último a me arrumar. Minha fantasia era bem carregada e eu iria derreter esperando os outros se aprontarem. Por causa do calor, receava passar mal com ela,  mas não estava disposto a  desistir dela. Afinal, ela era a principal razão de eu querer participar dessa festa, desde que ouvira falar dela um mês atrás. Que fantasia era essa?

De empregadinha.

Como vocês sabem, curto ser feminizado. Também curto me exibir feminizado, entretanto só tenho coragem de me exibir em público em nossos eventos sado-fetichistas. Já em um evento “não-sado-fetichista” fazia séculos que não aparecia assim. Aquela festa seria uma boa oportunidade de me expôr assim a um público “normal” e de mente aberta.

(Sem falar que agora não seria numa boate GLS, como na vez passada, onde ir travestido de mulher era “permitido”)

Além do mais, não era uma fantasia de empregadinha qualquer!

Não, Senhor!

Era uma “Empregadinha Tóxica”!!!

No que consistia: um par de saltos-altos, um body curto, bem justinho, de mangas lonngas, com babadinhos nas aberturas; uma saia; meia-calça negra transparente com estampa floral; meia-calça arrastão; segunda-pele negra transparente; colete postural com guia de coleira; e uma tiara (eu disse que era carregada!).

Os toques especiais: um avental estampado com um símbolo de alerta para veneno (uma caveira) e uma máscara-de-gás.

Entenderam porque é uma “Empregadinha Tóxica”?

Arrumei-me bem ao lado de um ventilador ajustado na velocidade máxima! Quase todo vestido (ou seria “vestida”?), descartei o colete por causa do calor. No lugar dele, atei uma gargantilha com laço, o que me deu um toque bem “cuti-cuti”. Dei uma última repassada no espelho. Fiquei uma graça. E a máscara e a caveira no avental me deram um certo ar macabro. Gostei.

Ah, sim! Por baixo disso tudo, e sobre as meias, vesti uma linda calcinha negra transparente com babadinhos e delicados laços nas laterais. Tinha esperança de, ao voltarmos, continuar a celebrar o Halloween a sós com minha Dona.

Juntei-me ao grupo que aguardava na sala e fui recebido com surpresa e admiração: “Nuóóóssa!!!”. As garotas foram as que mais se empolgaram, o que me deixou muito feliz. E, como na vez passada, a mãe da Rainha Frágil se chocou com meu visual. Não acreditou que eu sairia assim.

Resolvemos bater fotos, porém me senti mal. A máscara-de-gás era muito abafada e comecei a sufocar (já falei que fazia muito calor?). Tirei a máscara e substituí por uma outra nossa, toda negra, que cobre somente o rosto e possui um zíper no lugar da boca.

E assim terminava a curta carreira da Empregadinha Tóxica. Surgia a “Serva Macabra”. (O melhor nome que me passou pela cabeça).

Aprovei a mudança. Fiquei parecendo uma bonequinha de trapo.

*  *  *

Os táxis chegaram e… bem, obviamente tivemos que sair de dentro de casa.

Ou seja, tive que, enfim, SAIR FEMINIZADO!

Era para eu estar bem nervoso, com medo de ser visto assim lá fora, entretanto já tarde da noite e imaginava que havia pouco movimento à noite.

Dito e feito: ruas quase vazias. Só que, mesmo muito bem vestido, com meu corpo coberto pela meia-calça e a meia arrastão, o body de mangas longas e a máscara, me senti nú em campo aberto. Meu receio era de alguém das proximidades me reconhecer, mas era bobagem. Estávamos em um grupo grande e fantasiado. Dificilmente alguém pensaria que eu fosse um travesti ou iria associar aquela empregadinha mascarada a mim (ao menos, assim esperava).

Finalmente embarcamos nos táxis. Mesmo sendo ateu, agradeci a Deus pelo motorista ter vindo com ar-condicionado ligado. Indiquei-lhe nosso destino e que direção deveríamos seguir. Traí minha fantasia, pois falei normalmente em vez de tentar fingir uma voz feminina. Não havia necessidade. Creio que os taxistas estão acostumados a levar todo tipo de gente estranha. Tanto que, sem demonstrar um pingo de assombro, me sugeriu uma outra rota, por considerá-la mais rápida. Concordei.

Chegamos em poucos minutos à Hey-Ho, boate onde ocorreria a festa. Como prova de que o motorista que nos trouxe estava certo, o táxi que o resto do grupo tomara ainda não havia chegado. Então ficamos lá, minha Senhora, uma amiga escrava e eu feminizado em frente à boate aguardando os outros. Infelizmente para mim, nas ruas próximas da boate também havia pouco movimento e assim todos podiam me ver. De soslaio, percebi que atraia alguns olhares e sorrisos espantados.

Começou meu sofrimento com os saltos-altos: a calçada onde estávamos era bem inclinada. Procurava me equilibrar.

Começou também meu dilema: Queria entrar logo, pois na penumbra não me sentiria tão exposto. Entretanto, lá fora era bem mais fresco, batia um vento gostoso. Enfim, o resto do pessoal chegou. Aliviei-me pensando que finalmente iríamos entrar, porém uma de nossas amigas ficou de esperar na entrada mais algumas amigas, e minha Senhora aproveitou para fumar um pouco, já que lá dentro era proibido.

Sem ter o que fazer, observei o movimento ao redor e as fantasias do pessoal, principalmente as femininas. Foi quando percebi uma mão apalpando minha bunda. Arrepiei-me, porém não me surpeendi. Era a Rainha Frágil se aproveitando da situação. Seu olhar travesso e o sorriso diabólico me confirmaram tudo.

Aguardei exposto lá fora mais outros minutos até as tais amigas chegarem. Bateram algumas fotos e resolveram entrar.

Respirei fundo e FINALMENTE adentramos à boate.

A entrada não é muito ampla, e próximo dela havia algumas mesas de sinuca onde vários jogavam. Por isso não tive escapatória: assim que entrei, fui visto por uma galera. Mais sorrisos e risadinhas. Creio que curtiram. Acalmei-me um pouco. Tentei relaxar, curtir a música. Pô, afinal era uma festa à fantasia, ué. (Tá certo que ninguém espera um marmanjão vestido de garota, mas mesmo assim, né?). Todos ali trajavam um visual bem sombrio e outros entraram legal no clima da festa. Por lá vi o Beetlejuice, de “Os Fantasmas se Divertem”, e a Sally, de “O Estranho Mundo de Jack”. Inclusive encontramos uma amiga com um visual à lá Willy Wonka, de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”. Ao passar próximo do caixa, tive a impressão de que a balconista sorriu para mim.

A decoração era bem bacana, havia teias sintéticas, aranhas penduradas. Num telão, filmes do Tim Burton eram exibidos.

Depois de um tempão perambulando por lá dentro, minha Senhora resolveu fumar mais uma vez e por isso teve de sair. Aproveitou então para dar uma volta pelo Dragão do Mar – o maior complexo de lazer público de Fortaleza – já que era bem perto. O resto do grupo resolveu acompanhá-la… menos eu.

Não tive coragem de sair assim. Topei ir feminizado para a festa porque minha fantasia combinava com a sua proposta. Já lá no meio do Dragão… não sei, iria chamar atenção demais. Minha Senhora compreendeu e permitiu que eu ficasse. Ela então saiu com o grupo, e fiquei ali, sozinho e vestido de empregadinha.

Pior. Lembrei depois que nosso dinheiro estava na bolsa… dela. Ou seja: além de sozinho e feminizado, estava entregue à propria sorte.

FUDEU!

Felizmente, havia alguns amigos que conhecemos nas edições da Profania, e conversamos bastante. Nesse meio tempo, algumas garotas me abordaram e bateram fotos comigo. Claro, por causa da fantasia.

Fica a dica para quem quiser chegar fácil junto da mulherada.

Depois de cerca de uma hora, minha Senhora retornou. Divertiu-se me imaginando feminizado e sozinho por tanto tempo (Em sua maligna mente, viu todo mundo passando a mão em mim). Ela me ordenou que lhe comprasse uma cerveja. Fui no caixa comprar fichas e a balconista sorriu marotamente para mim.

- Eu queria ver teu rosto…

Eu ri e levantei a máscara. E ela riu também. Comprei a ficha e me despedi. Ao sair, ao meu lado, uma garota que esperava na fila também me sorriu.

*  *  *

Bem tarde da noite, resolvemos voltar para casa. O resto do nosso grupo já tinha ido embora. Só sobrara eu, minha Dona e a amiga escrava. Na rua do lado de fora, nenhum táxi. Só havia lá no Dragão do Mar.

FUDEU!

Eram umas duas quadras até lá, mesmo assim o trajeto me pareceu interminável e ameaçador, ainda mais naqueles saltos-altos. Ainda não tinha coragem de ir até lá. A amiga escrava se apiedou de de mim e foi buscar um táxi para nós (devo-lhe a vida!).

No banco de trás, apesar de ter curtido a experiência, já me aliviava por voltar para casa são e salvo. Todavia, uma das mãos de minha Dona começou a discretamente a acariciar minha nuca. Olhei para a Rainha Frágil e agora foi a vez dela me sorrir. Sedutora e moleca. A mão desceu vagarosamente, roçou minhas costas, apertou meu quadril. O body que eu usava era bem justa e macia. O roçar da mão friccionava o suave tecido em minha pele e onde minha Dona roçava e apalpava ficava bem sensibilizado. O mesmo aconteceu quando a mão se enfiou por baixo de minha saia, pousou e roçou sobre minhas coxas. Sentir a meia calça e as meias-arrastão friccionando a pele é de um prazer indescritível. Tive vontade de gemer, de grunhir, porém precisava me conter. Não queria “assustar” o motorista. Nem dar bandeira que eu estava me excitando, mesmo vestido de mulher.

Enquanto me assediava, Rainha Frágil me perguntou se “sua garota” se comportara bem ao estar sozinha na festa, se não fez “coisa feia” com nenhum bonitão. Respondi lascivamente que não, que fui uma boa garota. Do lado de minha Dona, a amiga escrava via tudo e ria baixo. A Rainha então me espremeu o pênis. Soltei um gemido abafado e minha Dona deu uma risadinha ao perceber o quanto eu estava excitado. Sussurrou bem no meu ouvido:

- Bichinha!

Então, ela me elogiou. Disse que eu estava mais à vontade, mais calmo e que por isso achava que agora eu poderia sair assim mais vezes para outros eventos.

Ih.. fudeu.

Ela continuou me cutucando, me beliscando, me provocando até chegarmos em casa. Ao entrarmos, por causa do calor, senti vontade de tirar logo a roupa, entretanto, eu também sentia outro tipo de “calor”. E minha Dona também.

Ela me conduziu até o quarto e se deitou na cama. Livrei-me imediatamente da máscara, do avental e dos saltos-altos, mas ainda me mantive de empregadinha. A Rainha pegou a máquina e tirou algumas fotos de mim, só que a essa hora a cerveja já fez efeito e as fotos saíram péssimas! Ela riu e me chamou para junto dela. Engatinhei na cama até ficar de quatro sobre minha Dona. Nos beijamos e nos abraçamos forte. Ela apertava e envolvia minha cintura em seus braços, esfregava minhas costas. O calor pesou de vez, desnudei meus braços das mangas longas, abaixei o body até a cintura, expondo meu tórax sob a segunda-pele.

Rainha Frágil beliscou-me os mamilos e os puxou em sua direção, forçando-me a curvar sobre ela. Novamente me abraçou, pressionando meu corpo contra a dela e abocanhou sofregamente um dos mamilos. A segunda-pele amplificava a sensação dos dentes e da língua estimulando meus mamilos. Um gemido me escapou. Minha Dona então levantou uma das coxas entre minhas pernas e a pressionou bem contra o meu períneo (a área entre os testículos e o ânus).

- Rebole! Vamos!

Fiz o ordenado. Requebrava languidamente a cintura, pressionava minha bundinha contra sua coxa, empinando para cima e para baixo, para a frente e para trás, sendo gostosamente penetrado por um pênis imaginário. Sentia a deliciosa textura das minhas meias e da minha calcinha esfregando o períneo. A Rainha logo voltou a me mordiscar e sugar um dos mamilos. Com uma das mãos, beliscava meu outro mamilo. Com a outra, começou a se mastubrar.

- Ai… que vadia! Aposto que gostou de se exibir para os machos lá da festa, né? – provocou-me, trêmula de prazer.

Tonto de tesão, repondi que sim, mas que não queria nada com nenhum deles.

- E as garotas rindo de você? Acha que alguma iria querer alguma coisa com um viadinho como você? Hein?

Respondi que não, já não me agüentando mais de tanta excitação.

A uma ordem de Minha Dona, passei a penetrar-lhe com os dedos. Remexia-a por dentro ao mesmo tempo que ela se tocava. Começou a gemer mais, seu corpo estremecia até que sua expressão se contorceu e a Rainha arqueou-se e soltou gemidos longos e sufocados. Após alguns instantes, os gemidos cessaram e seu corpo relaxou. Voltou a repousar as costas e a cabeça na cama, mas, ainda ofegante, remexia o quadril, pressionando a vagina contra meus dedos ainda em seu interior. Dei algumas beijoquinhas nas coxas, em sua barriga, em seus seios, até a Rainha Frágil repentinamente me afastar.

- Não, não! Não quero nada com você agora. – disse levantando-se rindo.

Protestei e grunhi. Ela adorava fazer isso: “provocar e negar”.

- Preciso fazer umas coisas no computador. E a Mônica (nome fictício de nossa amiga escrava) vai dormir com a gente. A coitada já está morrendo de sono. – justificou-se cinicamente enquanto abria nosso baú de cordas.

Escolheu uma longa. Com uma das pontas, amarrou meus tornozelos juntos. Com a mesma corda, atou meus pulsos juntos atrás de minhas costas com um nó corrediço. A outra ponta atou na grade da janela, acima da cama, um outro nó corrediço. Então deitou-me de lado e puxou a corda, que puxou meus tornozelos em direção aos meus pulsos amarrados, forçando meu corpo a arquear um pouco para trás. E carinhosamente, ajeitou uma almofada por baixo de minha cabeça.

- Sossega esse facho. Quem sabe a gente brinca depois.

Beijou-me a bochecha e saiu, deixando-me a sós com um tesão reprimido pelo meu corpo preso e arqueado em cordas e trajes femininos. A frustração aumentou um pouco mais, e em pouco tempo a excitação deu lugar ao cansaço da noite, que desabou sobre mim. Adormeci.

Terminava meu Halloween.

Muitas travessuras e nada de doces.

Feminizado no Halloween

Nota: postei o relato a seguir em nosso antigo blog em dezembro de 2004. Resolvi republicá-lo aqui, com algumas ligeiras alterações, pois pretendo amanhã repetir o mesmo “feito”: sair feminizado em público em um evento “não-sadofetichista”. O texto original encontra-se aqui: http://fragilreino.blogspot.com/2004/12/feminizado-no-halloween.html

Espero que se divirtam tanto quanto eu me diverti!

* * *

Feminizado no Halloween

Eu, de bruxa, numa festa Halloween. Reparem em QUANTA gente fantasiada. (Clique para ampliar)

No cômico filme “Legalmente Loira” há uma cena maravilhosa que, desde que a vi, povoa minha imaginação. A protagonista do filme, Elle Woods, vai à uma festa à fantasia usando uma engraçada e sensual fantasia de coelhinha: body rosa com rabinho branco em forma de pompom, e tiara com orelhas rosas de coelho. Muito show!

Então, quando ela chega à tal festa… SURPRESA!

A festa era formal, e não à fantasia! Elle fora deliberadamente mal informada por uma garota que gostaria de vê-la humilhada!

Resultado: Elle perambula pela festa com sua cômica e sexy fantasia de coelho pelo meio de todos, que estão vestidos em trajes sociais. Desnecessário dizer que desta forma todos a olham como se fosse uma loira gostosa com cabeça-de-vento.

Desnecessário dizer também que, como escravo submisso que sou, adorei a cena e já fantasiei muito com ela: eu feminizado (com a mesma sexy fantasia de coelhinha rosa) andando no meio de uma festa em que todos estão em trajes normais. As garotas rindo de mim e os homens zoando da minha cara, fazendo galanteios e me dando apalpadas surpresas nas nádegas.

Hahaha! Que tesão!!!

Pooooois bem, recentemente finalmente pude, não apenas realizar essa fantasia, como também realizar uma antiga fantasia da minha Senhora e eu: sair feminizado em público.

Semana passada, através de um amigo, F., soubemos de uma festa Halloween à fantasia numa boate GLS daqui de Fortaleza. Minha Senhora conversou comigo, eu fiquei pensando, tentando ver se desta vez criava coragem (há um tempão que pensávamos em fazer algo assim) e então… TCHARARAM!!!

Topei!!!

* * *

A comédia já começara horas antes da tal festa começar.

A mãe de minha Senhora, surpresa com o vai-e-vem de F. e da Rainha Frágil, e com o que eles vestiam (Minha Senhora de camiseta branca da BDSM Nordeste, shortinho de vinil vermelho, botas brancas e um charmoso lencinho vermelho com bolinhas brancas ao pescoço; F. com uma calça branca, uma peça de couro que lembrava um shibari cobrindo o tórax e as costas, uma capa negra e um chapéu de mago), perguntou o que era aquilo, e minha Senhora a informou que estávamos nos arrumando para uma festa à fantasia. Sua mãe logo perguntou sobre mim, de que eu iria fantasiado. A Rainha Frágil não titubeou:

“Ora, de mulher!”

A mãe, que é super “machista” (ela se irrita quando realizo algumas tarefas domésticas, como arrumar o quarto ou lavar a louça. Para ela, quem devia fazer isso era sua filha!), riu e gritou para mim:

“Cuidado! Não veste não, que você pode acostumar!!!”

Ih… tarde demais!

Bem, enquanto ouvia a se lamentar lá fora (“Coitado do rapaz…”), eu já estava vestindo a minha fantasia de “bruxinha Kelly” (“pequena Kelly” é o meu alter-ego feminizado): calcinha, meia-calça negra transparente e meias arrastão por cima (que camuflam legal os pêlos da perna), saltos-altos, um vestido longo negro bem justinho, uma capinha negra transparente presa ao pescoço e um chapéu de bruxa.

Examinei-me ao espelho para conferir se estava tudo certo… inclusive o “truque”.

É, o truque! “Esconder” o pênis sob a calcinha – “dobrando-o” para trás o mais que puder entre as pernas – e puxando a calcinha o máximo que puder para cima, para impedir que o pênis se “desdobrasse”.

Ao me inspecionar no espelho, vi que tinha feito correto. Não havia nenhum volume indiscreto aparecendo entre minhas pernas. O problema é que meu pênis estava em “posição de descanso”. Ou seja: se mais tarde ele ficasse ereto – e com certeza iria ficar (tenho 25 anos e bastante hormônio funcionando) -, o tal volume não iria aparecer?

Como já citei, o vestido é bem justo. Por isso, por rápidos instantes ensaiei algumas poses para deixar meu corpo, sob o vestido, com forma feminina. Levantei bem o queixo, arqueei o tórax para a frente e encolhi o estômago. Assim eu não ficava tão desengonçado.

Finalmente pronto, ou diria, pronta, chamei minha Senhora que, junto com F., se esbaldaram de tanto rir, impressionados como o vestido, que me caiu bem. Logo, Rainha Frágil aplicou maquiagem em mim. Meu pênis começou a “reagir”, mas felizmente estava bem preso lá embaixo.

Um pouco depois, quem também riu muito foi a mãe de minha Senhora, surpresa e ligeiramente indignada com aquela minha situação (como eu disse, ela é meio machista).

Entretanto, depois de eu ir e vir pela casa várias vezes (para pegar bolsa, máquina, ingresso, telefonar pro táxi, etc), ela comentou comigo:

“É, até que o vestido ficou bem em você”

Um pouco depois fui à cozinha e tomei uns dois copos d´água, pois o vestido esquentava muito, mas logo me preocupei: E se mais tarde eu sentisse vontade de ir ao banheiro? Eu, parecendo um travesti amador, deveria ir ao banheiro masculino ou ao feminino? Ou numa boate GLS não tem dessas coisas, é unisex?

Na via das dúvidas, o melhor é se segurar e não ir.

* * *

Alguns minutos depois o táxi chegou e minha prova de fogo começou.

A Rainha Frágil mora num pequeno condomínio. Fiquei um tanto apreensivo se na saída houvesse alguém do lado de fora e me visse assim. Felizmente não havia. Só que, o piso do pátio interno é de paralelepípedo, velho e exposto a anos de erosão. Ou seja, totalmente desnivelado com um ou outro buraco aqui e acolá. Desta forma, para mim, com meus saltos-altos, foi um verdadeiro exercício de coordenação motora, o que só fez arrancar risos estridentes de minha Senhora.

Graças a Deus, cheguei ao táxi sem levar tombo algum. Rainha Frágil e F. já entraram no táxi, no banco de trás. Fiquei na dúvida se devia ir atrás ou no banco do carona (na frente com o motorista, eu vestido daquele jeito?).

- Vai na frente! – ordenou-me rindo a Rainha Frágil.

Sim, Senhora!

Entrei no táxi, e fiquei imaginando o que deveria estar passando pela cabeça do taxista ao ver aqueles três tipos estranhos, e ainda mais aquele sujeito vestido de bruxa, com meias arrastão ao lado dele.

- Boa noite – cumprimentei um tanto constrangido.

- Boa noite – respondeu em tom “profissional” o motorista.

Dei o nosso destino e fomos em frente.

Andar de táxi, no banco do motorista, vestido de mulher foi uma experiência de uma certa forma chocante. Às vezes, pego um táxi quando saio da casa da minha Senhora pra minha. Claro, sempre de roupas masculinas. Por isso, agora, eu estava me sentindo nú. Nem eu estava sabendo direito como apoiar meus saltos altos no piso do carro. Eu estava até com a sensação de que estava esquecendo alguma coisa… e estava mesmo!!!

- Vixe, o cinto!

Afivelei o cinto-de-segurança e tentei relaxar um pouco.

* * *

Pelo caminho, comecei a me preocupar com algo. E prestes a chegarmos à boate, vi que esse “algo” podia acontecer.

A boate se localiza próxima ao Centro Cultural Dragão do Mar – a mais conhecida atração turística da cidade -, numa área em que se concentram várias outras boates (essa a que íamos era a única GLS). As boates estão espalhadas em quadras separadas por ruas estreitas. Nelas, em frente às boates, nas também estreitas calçadas, se localizam várias barraquinhas de sanduíche e bebidas. Desta forma, as ruas estavam lotadas, tanto de carros, quanto de pessoas.

E eu iria caminhar feminizado no meio delas!

Paramos quase em frente à boate. Minha Senhora e F. saíram empolgados do táxi. Eu me demorei um pouco pois estava sacando dinheiro da bolsa para pagar o táxi.

(É, além de estar feminizado, também carregava a bolsa com nosso dinheiro e documentos).

Desci do táxi e a sensação “Legalmente Loira” começou antes mesmo de entrarmos.

Respirei fundo e fui atravessando o povo com minha fantasia de bruxa em busca de minha Senhora e F. que já tinham escapulido sem mim. Depois de alguns instantes consegui alcançar a Rainha Frágil, mas nem sinal de F., que havia se perdido do meio da multidão. Minha Senhora ordenou-me a guardar o lugar na fila enquanto ela procurava pelo nosso amigo desaparecido.

Fui até à fila, sozinho, desacompanhado e feminizado, e finalmente cheguei a ela. Próximo, havia um grupinho conversando e percebi de soslaio que um ou dois deram uma olhadela em mim. Fingi que não foi comigo.

Depois de alguns minutos que demoraram a passar, minha Senhora volta com F. todo alegre. A fila era curta, chegamos razoavelmente cedo à festa, e assim não demoramos muito para entrar na boate.

Na entrada havia duas catracas. A Rainha Frágil entrou pela da esquerda e foi revistada por uma mulher. F. entrou pela da direita e foi revistado por um homem-armário. Em seguida, também passei pela catraca da direita imaginando que seria revistado pelo mesmo cara. Qual não foi a minha surpresa ao ver a mesma mulher que revistara minha Senhora se pondo à minha frente?

- Só vou te revistar, tudo bem? – disse ela sorridente.

- Tudo bem. – Respondi sorridente, um tanto constrangido.

Putz. Em toda a minha vida nunca fui revistado por uma mulher!

Afastei um pouco os braços de meu corpo e ela delicadamente começou a apalpar as laterais do meu tórax e foi descendo até a cintura. Fiquei meio nervoso. Fiquei imaginado se ela ia apalpar a virilha, como alguns seguranças masculinos fazem. Fiquei com medo que meu pênis “se avolumasse” e me fizesse passar vexame ali mesmo. Felizmente nada disso aconteceu. Ela agradeceu e me desejou uma boa noite. Eu agradeci e fui seguindo F. e minha Senhora, que ria muito com a minha situação.

* * *

A boate possui dois ambientes. O primeiro é uma pista de dança fechada. Bastante escuro, somente iluminado pelos jogos de luzes, lasers e flashes. O preferido dos mais afoitos, e era quase que exclusivamente freqüentado por homossexuais. Era possível ver o movimento de cima, através do mezanino com “american-bar”, acessado por uma escada, que ficava do lado de fora, subindo-se um lance dela.

Já o segundo ambiente era uma outra pista de dança, com palco, bar, uma mesa de sinuca próxima e área de mesas, aberta ao exterior, pois se localizava no terraço do prédio, e era acessado pela mesma escada citada, subindo-se até o fim dela. Este era um abiente mais “comportado”, freqüentado por heterossexuais e por homossexuais menos afoitos ou que estavam apenas descansando do agito lá debaixo.

Mais tarde a escada seria uma verdadeira provação para mim, mas logo agora eu já pude sofrer um “preview”: ela era ligeiramente íngreme, cada degrau era quase do tamanho exato da sola de meu pé. Temendo me desequilibrar ou pisar em falso, eu só subia e descia me apoiando no corrimão, o que não era tarefa muito fácil, pois já havia um certo movimento de vai-e-vem na escada e infelizmente nem todos eram gentis com jovens feminizados vestidos de bruxa. Minha Rainha e F. nem perceberam a minha aflição, pois já estavam bem à minha frente. Fui subindo a escada por trás de um travesti.

Caramba, era literalmente um mulherão: bem mais alta e forte que eu. Se duvidar, era quase tão forte quanto o homem-armário que revistou F. na entrada. Apesar disso, ela andava com graciosidade e mantinha um ar bastante feminino. No meio da subida, veio um cara descendo. Ao passar ao lado dela, ele de repente levou a mão à virilha dela e cochichou-lhe algo à orelha. O travesti o olhou um tanto indiferente, mas com uma certa irritação, e seguiu em frente. O cara sorriu e continuou a descida. Quando ele chegou quase ao meu lado, eu já estava meio apreensivo. Achei que ele também me faria alguma gracinha. Só que ele passou por mim como se não tivesse notado minha presença.

Ele foi se embora e eu… ah, sei lá, acho que fiquei meio decepcionado…

* * *

Depois de chegar finalmente ao fim da escada com todo o cuidado do mundo, vi que minha Senhora e F. já se dirigiam à área das mesas. Para se chegar até lá, partindo-se da escada, é preciso passar pelo bar e depois pela pista de dança. Ao seguir meu rumo, voltei a sentir novamente a sensação “Legalmente Loira”.

Naquele momento, o ambiente não estava muito cheio, já havia um número razoável de pessoas no bar e na pista de dança… mas não havia ninguém fantasiado!

Lá fui eu, com meu vestidinho e chapéu de bruxa passando pelo bar e atravessando a pista de dança, no meio de pessoas que se vestiam normalmente. Tive a impressão (correta) de que estava sendo observado. Creio que me olhavam não apenas por causa da fantasia que eu usava, mas também talvez por causa do meu andar: um tanto desengonçado sobre os saltos-altos. Acho que devo ter dado a maior bandeira que eu não era mulher de jeito maneira. Continuei meu passo mais uma vez fingindo que não era comigo.

* * *

Finalmente, cheguei na área das mesas. Não havia tanta gente lá, porém dava para perceber que dentro em breve não haveria mesa para todos. Algumas já eram compartilhadas. Conseguimos achar uma sem ninguém, próxima à pista de dança e do palco. Nos abancamos, só que a banda já estava tocando um rock anos 80, o preferido de minha Senhora, que já começara a dançar entusiasmada, juntamente com F. Eu continuei sentado, cuidando da bolsa. Não tinha intenção de dançar. Três motivos: primeiro, sou um péssimo dançarino; segundo, sobre saltos-altos devo ser pior ainda; e terceiro, não estava afim de chamar mais atenção ainda.

- Vá comprar cerveja! – ordenou-me Rainha Frágil, feliz da vida com a música.

Sim, Senhora!

Enfrentei novamente o público da pista de dança, fui ao caixa, comprei um tíquete e fui ao balcão do bar. Lá havia um bom número de pessoas bebendo e conversando. Eu me imiscui entre elas, tentando não chamar (muita) atenção. Um dos atendentes pegou meu tíquete e me entregou uma cerveja. Saí de lá e novamente atravessei a pista de dança, que pouco a pouco começava a encher de pessoas.

Minha Senhora bebeu um pouco e voltou a dançar toda faceira. Da pista de dança, ela me lançava olhares e sorrisos. Uma garota flertando outra garota. Depois de dançar alegremente por um tempo, ela veio até mim e nos demos um longo e apaixonado beijo. Fiquei imaginando se alguém que estivesse nos observando agora imaginaria que éramos um casal de lésbicas, o que me deixou com muito tesão, e o meu pênis se espremendo lá embaixo.

(De fato, aconteceu mais ou menos o que imaginei. Mais tarde, ela me contou que ouviu um casal sentado atrás da gente comentando entre eles qual era o nosso “lance”. Perguntavam-se se nós éramos lésbicas ou travestis)

Depois, minha Senhora se sentou e ficou bebericando um pouco. Percebi aflito que meu pênis começava a se soltar por baixo e tentei me ajeitar. Dei-me conta que estava sentado com as pernas ligeiramente abertas, pois meu pênis preso começava a doer. Tentei manter a compostura, cruzando as pernas, o que machucou ainda meu pênis. Então mantive as pernas bem juntas. Doía, mas menos. Lembrei-me também de manter o queixo e tórax erguidos e a barriga encolhida, para manter uma postura feminina.

Passou-se um tempo e o lugar começou a lotar. Muita gente começou a ficar de pé. Eu não largava da cadeira. Não estava afim de perdê-la para alguém e ter de me manter o resto da noite em pé sobre os salto-altos. Perto, um grupo se juntou e vez ou outra alguém esbarrava em mim. Resolvi me afastar um pouco (junto com a cadeira, é óbvio!) e senti minha perna como se tivesse sendo fisgada. Notei que a meia arrastão se prendera num parafuso da perna da cadeira. Consegui soltá-la.

Aff! Agora pronto, além de me preocupar com a postura, deveria me preocupar também com as meias.

Tempo depois, um fotógrafo do site Zona GLS (hoje extinto) me perguntou se podia tirar uma foto minha. Achei graça e topei, para alegria de minha Rainha!

É isso mesmo! Depois de anos criando coragem, na primeira vez que saio feminizado em público, vou parar em um site! Morram de inveja, mortais!!!

Minha Senhora deu muita risada e nós voltamos a nos beijar, bem sensualmente.

* * *

Mais uma vez minha Senhora voltou à pista de dança com F. Fiquei em minha cadeira, segurando a bolsa no colo, sozinho no meio da multidão que se avolumava cada vez mais. Quem se avolumava também era meu pênis, doido pra se soltar. Juntava, separava, cruzava as pernas, na tentativa de aliviar as coisas. É quando sinto um cutucão em meu pescoço. Eu me viro, vejo um monte de gente, mas não consigo descobrir o que foi. Volto aos meus afazeres, ou seja, cuidar da bolsa de minha Senhora enquanto ela dança. Novo cutucão, desta vez em meu ombro. Que diacho! Eu me viro e novamente nada de pista. Xiii… era bem que capaz de ser alguém se engraçando comigo. E era mesmo: a Rainha Frágil que tinha tentando me assustar. Ela chegou rindo e me ordenou a comprar mais uma cerveja. Já devia ser a terceira ou quarta. Meus pés já estavam doloridos de andar sobre os saltos, mas ordens eram ordens e lá fui eu.

Se antes eu achava a pista de dança uma ameaça pelo constrangimento que eu sentia ao atravessá-la, agora era uma perigo pelo número de pessoas que a ocupava, dançando e se movimentando de um lado para o outro. Eu estava um pouco cansado, e já começava a sentir uma certa dificuldade em me equilibrar sobre os saltos. Tinha de evitar os esbarrões e atravessar pelas “brechas”. Foi uma verdadeira estratégia! Quando finalmente chego no caixa, descubro que acabaram-se os tíquetes e que eu devia comprar no caixa do andar debaixo.

Eita! Lá fui eu. Desci um lance de escada, comprei o bendito tíquete, subi um lance de escada, me engalfinhei no balcão, lotado, esperei pacientemente em pé pela cereveja, voltei me desviando das pessoas na pista de dança, entreguei a cerveja e, ufa!, voltei para a minha cômoda cadeira, para o alívido de meus pés.

Pra variar, minha Senhora ria de minhas estripulias…

* * *

O tempo foi passando. Minha Senhora dançava muito, depois vinha se sentar junto de mim, conversávamos, observávamos o movimento, batíamos algumas fotos. Chegou a comentar sobre uma garota com quem dançara e, aparentemente, poderia “rolar algo”, mas nessa hora chegou um homem, companhia dela, e minha Rainha saiu.

Já eu, em minha abençoada cadeira, observava o ambiente ao redor. Fiquei impressionado com os travestis. Gostava de me imaginar com o corpão delas, sensualmente vestida e caminhando graciosamente.

Eu também gostava de observar as lésbicas. Principalmente como dançavam uma com a outra e se beijavam.

Mulheres se beijando é a coisa mais linda do mundo!

* * *

Pouco a pouco, o ambiente começou a esvaziar. Quando vimos já eram quatro da manhã! Só então notei pela falta de F. Não estava conosco. Já tinha ido se baldear lá embaixo na pista de dança. A esta altura, a Rainha Frágil já estava cansada e com sono, e me ordenou ir buscá-lo para irmos embora. Ou seja, ela estava me mandando ir, sobre meus saltos-altos, descer dois lances de escada, adentrar em um ambiente completamente escuro, procurar uma pessoa no meio de uma multidão que dançava e fazia sabe-se lá o quê sob a penumbra, e depois retornar subindo dois lances de escada.

Sim, Senhora!

Atravessar a pista de dança já não foi tão difícil, havia poucas pessoas agora, porém voltou a ser um tanto constrangedor pois novamente eu estava à vista de todos, com meu vestido, meu chapéu de bruxa e meus passos um tanto trôpegos.

Descer a escada, sim, é que foi problema!

Desci com o maior cuidado do mundo me equilibrando no corrimão, atenção e esforços redobrados, eu também já estava ficando com sono. Graças a Deus, cheguei inteiro lá embaixo e percorri o corredor que dava acesso à pista de dança. No corredor havia bastante gente conversando, muitos travestis, e uns dois ou três casais de homossexuais se beijando e se agarrando. Eita, fiquei imaginando como estariam as coisas dentro da pista de dança.

*  *  *

Cacete!!!

Que escuridão! Que calor! Que barulho!

Que multidão!

Puuuuuuuutz!!! Missão quase impossível a minha.

Dei alguns passos e quase tropeço. Uma decoração de Halloween jazia caída no chão. Devia haver outras dessas espalhados por aí. Andava a passos bem curtos à procura de F., mas só procurei pela área próxima da entrada porque mais lá no meio todo mundo se espremia em todo mundo!

Observei atentamente pelo meio da multidão, andando de um lado ao outro, sem parar em momento algum, apesar dos protestos dos meus pés. Confesso, tinha medo de, na escuridão, ser confundido com um travesti de verdade e que dessem em cima de mim. Mas que nada! Fui deixado em paz. Continuei me esforçando em minha busca, enquanto minhas pernas se transformavam em pasta, e eu, sob o vestido longo, derretia.

Volto, subo dos dois lances de escada, me segurando pelo querido corrimão, atravesso a pista de dança praticamente vazia, chego à nossa mesa… e minha Senhora não estava mais lá!

Olho ao redor e percebo ela sentada em outra mesa do outro lado da pista de dança. Vou até ela, que se mantém estranhamente quieta, e digo que não achei F. Ela se chateia e me diz para descansar um pouco e depois voltar a procurá-lo. Suspirei. Eu ia sugerir para a gente somente sentar e esperar por ele.

Bem, fui me sentar ao seu lado, e ela, com um gesto, me ordenou para que eu me sentasse do outro lado. Estranhei, mas fiz o ordenado. Alguns minutos depois, riu e me contou o que houve: Ela estava tentando mais uma vez paquerar a garota com quem havia dançado alguns minutos antes, olhando-a diretamente pra ela, esperando ser notada, pois estava mais uma vez acompanhada de um cara. Infelizmente não deu certo e ela saiu com o sujeito.

Minha Senhora então foi ao banheiro, e eu fiquei só, aguardando o retorno de F. Próximo a mim havia um grupo de garotas. Uma delas estava sentada bem ao meu lado. Logo, uma outra garota caminhou até esta, sentou-se em seu colo de frente para ela, e as duas se deram um longo e tórrido beijo, pareciam que iam se engolir.

Pelo menos imaginei que foi assim. Como eu disse, eu estava sentado ao lado, e virar o rosto para olhar seria muuuuuita indiscrição da minha parte. Realmente, tive que me segurar para não dar tanta bandeira. Foi mesmo uma pena. As duas pareciam estar bastante apaixonadas.

Um pouco depois, minha Senhora voltou:

- Vá procurar F. de novo, e na volta me traz uma cerveja e uma ficha pra sinuca.

Os coitados dos meus pés não acreditaram no que ouviram.

- Ficha pra sinuca?

- Ficha pra sinuca.

Sim, Senhora!

* * *

Mais outra vez enfrentei os dois malditos lances de escada e cheguei à pista de dança inferior, permancendo lá por vááááários minutos, ignorando as súplicas de meus pés, presos nos saltos. Olhei, andei, olhei, andei, olhei e nada de F.

Voltei, subi os #$%@&# dos lances de escada, lembrei que lá em cima não tinha mais tíquete pra cerveja, desci um lance, comprei o tíquete da cerveja e a ficha pra sinuca, subi e… caracas, onde eu estava mesmo? Ah, sim, tinha voltado ao terraço. Pois bem. Peguei a cerveja e a ficha, e encontro minha Rainha à mesa convesando com F. Ela me chamoa pra jogar sinuca e quando se vira para convidar F., ele já tinha se baldeado para uma pequena galera que ainda dançava lá na área das mesas.

Eu e minha Senhora jogamos um pouco, e ríamos com os erros abissais um do outro, causados pelo sono e cansaço. Rainha Frágil venceu a partida com um “suicídio” meu. (Não foi proposital, juro! A própria Rainha Frágil é testemunha!).

Finalmente(!), fomos embora, os três rindo.

* * *

Pegamos um táxi, deixamos F. em casa e então chegamos ao condomínio onde mora minha Senhora. Entramos, atravessamos o pátio, chegamos à porta da casa de minha Senhora, tirei da bolsa a chave, pus no trinco… e a porta não abriu.

Tentando forçar a porta, percebi que alguém de dentro passou a tranca, provavelmente a mãe ou o filho da minha Senhora que não deve ter percebido que ainda não havíamos chegado. Batemos à porta, tocamos a campanhia várias vezes e nada. Minha Senhora teve a idéia de ligar pra casa, talvez o telefone acordasse alguém, entretanto tínhamos deixado os celulares em casa.

- Você fica aqui tocando a campanhia e eu vou lá fora ligar do orelhão.

- Não, deixa que eu vou.

Eu me ofereci pois minha Senhora, após tanto dançar e beber, com certeza estava mais cansada e com sono do que eu. Além do mais, eram cinco da matina. As ruas estavam desertas e temia que alguma coisa acontecesse a ela.

Então lá fui eu, com meu chapéu de bruxa, meu vestido longo e saltos-altos, caminhando pela rua até a esquina para ligar de um orelhão. Sim, eu mantive o chapéu-de-bruxa. Preferia que imaginassem que eu era uma garota fantasiada de bruxa ao invés de um cara usando um vestido longo. Mas pelo meu andar acho que era possível perceber que a garota na verdade era um cara.

Putz, meu nervosismo só não foi maior pois eu estava morrendo de sono. O céu clareava, e já se ouvia os pássaros. Um sujeito passou vindo de bicicleta do outro lado da rua. Fiquei morrendo de medo que fosse algum assaltante (acontece que eu não tinha nada para ser roubado. Que que ele faria então? Estuprar-me?), mas ele apenas me olhou e seguiu caminho. Ri comigo mesmo, achando que ele imaginou que eu fosse travesti fazendo ponto. Afinal de contas, estávamos a apenas algumas quadras da beira-mar, que nas altas horas se torna um “point” de prostitutas e travestis.

Liguei e consegui acordar a mãe de minha Senhora. Expliquei o ocorrido, retornei, e finalmente, cansados, exaustos e combalidos entramos em casa.

Mal consigo esperar pelo próximo Halloween!!!

Dita Von Teese no Programa do Jô

Parte 1

Parte 2

Você sabe que está ficando sem moral quando…

Um belo dia,  um Dominador bondagista de São Paulo,  novamente veio a Fortaleza, e aproveitou para visitar mais uma vez minha Dona, a Rainha Frágil.

Conversa vai, conversa vem e combinamos de irmos, numa bela noite, a um motel.  Além dele,  minha Dona e eu, iriam três amigas nossas – duas delas eram escravas – e um casal de amigos, Suzana e Marcelo (nomes fictícios para preservar suas identidades). Apesar da praia deles ser o “swing”, também curtem algumas práticas leves do BDSM.

Porém, no dia da tal grande noite, Suzana nos avisou que não poderia ir. Minha Dona a questionou, e ela justificou que é porque Marcelo também não poderia ir. Estranhamos, afinal o  marido não podendo sair raramente a impediu de sair sozinha. Questionada sobre isso, Suzana respondeu:

- É que o Marcelo tem ciúmes desse Dominador.

Ano passado, quando esse Dominador nos visitou pela primeira vez, ele nos demonstrou sua habilidade em imobilizar escravas usando cordas. Uma das “cobaias” obviamente foi eu. A outra, foi Suzana, que estava presente junto com o marido. Pelo fato do Marcelo ter sentido ciúmes um ano depois da visita, a tal ponto de impedir que sua esposa saísse com a gente, dá para perceber o quanto esse Dominador é bom com as cordas. E o quanto Suzana curtiu a experiência.

Aí, nessa hora quem ficou encafifado foi eu.

- Ô, Suzana, o Marcelo sabia que eu também vou ao motel?

- Sim, sabia.

- E ele não sente ciúmes de mim também não?

Marcelo e eu temos pouco contato, mesmo asim ele sabe vários aspectos de minha vida de escravo BDSM. Quando não é minha Dona que revela orgulhosamente em conversas, é ela que fofoca com Suzana, que depois fofoca com o Marcelo. Como alguns de nossos amigos mais íntimos, ele já sabe que curto ser humilhado, que apanho da Rainha Frágil, que ela controla a freqüência de meu gozo e que adora me vestir em trajes e lingeries femininos e me treinar feito uma escrava.

Ora caramba, ele até já me viu numa Profania (festa sado-fetichista que minha Dona e eu organizamos) feminizado de “aluninha fetichista” (o tema sugerido dessa edição era “Pátio do Colégio”).

Creio que, pelo fato do Marcelo conhecer tantos detalhes sórdidos sobre mim, Suzana respondeu de forma friamente sincera e assustadoramente natural:

- Não.

Tim Burton´s Halloween Party

Tim Burtons Halloween Party

Tim Burton's Halloween Party (clique para ampliar)

Atrações:
DJ´s: Plastique Noir (DJ Set)
Babuê de Sade (Dança das Sombras)
GÊ e Tiago Saicol (Pin Up´s Party)
Kaio e Adams (Fora de Rota Team)

Ingressos:
R$ 8,00 (fantasia)
R$ 10,00 (normal)

Informações:
Babuê Produções (Rafael Lucena): (085) 8823.9194

* * *

É festa Halloween!

Aproveitando a oportunidade, minha Dona e eu iremos com um visú “Dark Fetichista”.

Vamos lá, povo!

Meus adendos ao artigo “A fantasia de ser dominada”, da Revista Nova.

A Revista Nova publicou um artigo intitulado “A fantasia de ser dominada”, onde expõe algumas teorias que procuram explicar por que muitas mulheres possuem esse desejo e mostra dicas de como realizá-lo com o mínimo de riscos. Para acessar o artigo, clique aqui: http://ow.ly/rC1R

Eu, já “versado” no BDSM (sigla que designa as seguintes práticas: Bondage e Disciplina, Dominação e Submissão, Sadismo e Masoquismo) achei a matéria apenas razoável. Entretanto, como ela não é dirigida para os pervertidos sado-fetichistas como eu, e sim para um público leigo no assunto, mas de mente aberta e que topa novas experiências para incrementar a relação, creio que o artigo está de bom tamanho e que serve aos seus propósitos.

Abaixo comentários meus acerca de alguns trechos do artigo (em itálico entre aspas):

“Outro fator excitante: quando a amarram e a obrigam a transar, você não tem o menor controle. A situação é imprevisível, não dá para saber o que virá em seguida… Quem não sente um frio na barriga com o inesperado, o imponderável?”

A melhor comparação que conheço sobre uma sessão BDSM (o intercurso sadomasoquista) é a de andar de olhos vendados numa montanha russa desconhecida. Você mal faz idéia do rumo que tomará, a duração e a intensidade da experiência. Perder o controle, não saber o que virá em seguida, estar vulnerável e subjugado aos caprichos de outra pessoa é mesmo emocionante. Misture isso ao prazer sexual e então…

Muitos pensam que o grande prazer do masoquista é a dor. Isso é até verdade em alguns casos. Eu também curto apanhar, mas a “graça” para mim não é SÓ isso. Para mim, o grande barato é a sujeição. Eu e meu corpo estão disponíveis para o que minha Dona, a Rainha Frágil, bem entender naquela hora. Não faço idéia do que ela fará afim de obter seu prazer, se usará alguns de seus equipamentos de tortura ou simplesmente manipulará meu tesão, mas ela vai obter de qualquer forma.

A dor não é o fim, é apenas o meio. E sabe lá Deus (e minha Rainha) o que acontecerá até o final.

Obviamente que o prazer e a segurança serão maiores se você for dominado(a) por alguém que conheça e confie. Melhor ainda se ele(a) souber o que é que te excita e o que te broxa legal.

Como você será um mero brinquedinho, é bom que saibam que botões apertar.

“Vale lembrar ainda que esse tipo de brincadeira erótica está ligado à submissão. Portanto, desejar colocá-lo em prática pode ser uma maneira de escapar ou se desconectar da sua identidade real e do stress do cotidiano. Um jeito de abandonar as responsabilidades e se entregar total e absolutamente às vontades do outro, sem precisar pensar, refletir ou tomar decisões. Nada mais relaxante e redentor para mulheres que andam sobrecarregadas de obrigações e tarefas…”

Fantasia clássica de um escravo (o “passivo” numa relação BDSM. Nesse texto, “escravo” designará tanto o escravo, como a escrava): ser mantido preso (na masmorra, numa prisão, no quarto de empregada) contra sua vontade e sair de lá somente para apanhar e dar prazer ao seu Dominador (o “ativo” numa relação BDSM. Nesse texto, “dominador” designará tanto o dominador, como a dominadora) – coisas que “coincidentemente” também dão prazer ao escravo. Enquanto está preso, seu Dono lhe dá de comer e cuida de sua integridade física.

Ou seja, o Dominador se responsabiliza pelo seu escravo e este ainda “sofre” coisas que lhe excitam.

Bom demais, não?

Pior que isso tem respaldo na vida real: Soube de um escravo que, após perder o emprego, ligou para uma dominadora com quem teve algumas sessões e avisou que iria morar com ela e serví-la enquanto não arranjava emprego.

Obviamente, o aviso foi rechaçado.

É claro que que um bom escravo não é totalmente passivão. Ele sempre buscará novas e diferentes formas de agradar e surpreender seu dominador.

“A quarta hipótese para explicar o desejo de ser possuída à revelia é que, lá no fundo, algumas de nós considerem o sexo algo sujo ou errado e, inconscientemente, sintam-se culpadas por ter prazer. Então, ao imaginar que estão sendo forçadas a fazer aquilo, se liberam, aproveitando muito mais o rala-e-rola. ‘Às vezes, representar uma personagem permite deixar de lado ressentimentos, dificuldades no relacionamento, autocensura. Facilita viver as sensações’, fala Marina.”

Fugindo um pouco do assunto, essa teoria me lembrou uma prática comum no BDSM: a “Feminização Forçada”, onde a Dominadora “obriga” (Entre aspas. Mais à frente, mostro que não há nada forçado ou obrigado numa sessão BDSM saudável) o escravo a vestir trajes femininos, a se maquiar e até a andar e se comportar como uma mulher ou menina.

A teoria: o sujeito gosta de se vestir e agir feito uma mulher, mas não admite. Daí, para curtir esse prazer, ele é “forçado” por sua Dominadora a se feminizar.

Quem me conhece e já deu uma lida nesse blog, já percebeu que curto muito ser feminizado, mas comigo não tem esse negócio de “forçado”. Eu me feminizo com maior prazer, adoro quando minha Dona e suas amigas me feminizam, e sempre que surge a oportunidade me exponho feminizado em público. Não tenho a menor vergonha de admitir isso. Trajes e maquiagens femininas me deixam ligadão.

“Essa transa com pegada forte pode envolver gritos e tapas de mentirinha ou ser mais romântica, quando seu amor amarra você com lenços de seda e atiça seus sentidos aos poucos, construindo lentamente um orgasmo de ver estrelas. ‘Qualquer variação é normal, DESDE QUE FUNCIONE COMO UM ADITIVO, E NÃO COMO MOTOR DE ARRANQUE PARA QUE O SEXO ACONTEÇA’, pontua Marina.”

Observação tão importante que transcrevi em caixa alta. Se para transar você precisa apanhar ou ser humilhado(a), ou seja, se você se excita sexualmente SOMENTE através da dor física/psicológica, então você possui problemas, e eu sugiro que procure ajuda.

“Seu homem, que vai se sentir o machão-todo-poderoso, precisa ser habilidoso para a cena não se tornar cômica em vez de sexy. Se decidem usar algemas, por exemplo, certifiquem-se de que as chaves estão à mão.”

A grande maioria das algemas vendidas em sex shops possuem travas de segurança, que permitem abrí-las, mesmo sem a chave. Até algemado, é possível se libertar.

“Indispensável também descobrir seus limites.”

A observação mais importante do artigo. É bom saber até que ponto se é capaz de ir para não correr o perigo de decepcionar seu Dominador ou, pior, se ferir gravemente. Tiro por experiência própria: quando fui ter pela primeira vez uma sessão BDSM com uma Dominadora, a Rainha Frágil (sim, ela foi minha primeira Dominadora, e até hoje continuo sendo seu escravo), lhe jurei que eu agüentaria tudo, que ela podia mandar brasa! Aí, quando pela primeira vez apanhei com uma palmatória de couro, cheguei a uma importante conclusão:

AQUILO DÓI PRA CARAMBA!!!

Na terceira palmada, “pedi pra sair”.

(Só não foi mais constrangedor porque ela caiu na risada quando pedi para que parasse. Experiente, não se deixou enganar pelo meu papo amador de “eu-suporto-qualquer-coisa!”)

Costumo classificar os limites em três:

1. Expansíveis
Aqueles que, com um pouco de conversa e muita prática, podem ser superados. De novo, experiência pessoal: penetração. Apavorei-me quando minha Dona tentou me penetrar com o dedo. “Travei” legal. Ela então conversou bastante comigo e convenceu-me a experimentar. Bem aos poucos. Começou com os dedos em luva de látex embebidos em lubrificante, depois um pequeno plug, passei para um maior e agora curto vibradores e bolinhas tailandesas. Sugestão: para evitar sujeira e bactérias do ânus, é bom usar esses acessórios com camisinhas.

2. Intransponíveis, mas adaptáveis.
Aqueles que não se consegue superar, mas pelo menos dá para dar um jeitinho de seu Dominador curtir. A Rainha Frágil por exemplo ADORA quando seus escravos bebem sua urina (uma prática fetichista, urofagia, bem mais comum do que a gente imagina). Tem escravo que também adora beber urina, mas eu não, e dificilmente superarei esse limite, pois, sempre que tentava, começava a vomitar. Não tem jeito. PORÉÉÉÉM… ser “urinado” é outra coisa, consigo tolerar. Sim, sentir aquele líquido quente e de odor forte escorrendo pela nuca, descendo as costas e pingando pelo cóccix é mesmo nojento, Mas como não me provoca náuseas, nem coisa parecida, então me submeto a isso para a alegria de minha Dona (o sorrisão dela vale a pena).

3. Intransponíveis MESMO!
Aqueles que são insuperáveis MESMO! Não se consegue superá-lo, nem mesmo coragem de tentar ou ao menos contorná-lo. No meu caso, um desses limites seria a asfixia erótica. Tá certo que tenho até certo interesse, mas como, além do risco de morte, há o de seqüelas, acho que mesmo surgindo a oportunidade de experimentar, iria recusar.

“Pesquisas mostram que o medo pode ser um afrodisíaco poderoso — desde que o casal não exagere na dose, ou estragará tudo. ‘Qualquer jogo erótico precisa ser seguro e consensual e não deve provocar dor física ou emocional’, alerta a especialista. ‘Não é porque esse tipo de sexo contém elementos de conquista à força, recebendo o nome técnico de estupro fantasioso, que vamos confundir com atos de violência e agressão.’”

O BDSM saudável é apoiado por um importante tripé, O “SSC”: São, Seguro e Consensual.

Numa sessão BDSM, é imprescindível que esses elementos estejam presentes. Eles diferenciam uma sessão BDSM de um caso de abuso, violência doméstica ou psicopatia. Separam um praticante BDSM de um louco ou de um marido violento, por exemplo. Nunca se submeta a práticas de dominação contra a própria a vontade e se não se sentir seguro consigo ou com o Dominador. Evite práticas que envolvam riscos excessívos à sua integridade física e psicológica.

“Que tal combinar com seu homem um código íntimo e pessoal para sinalizar sim e não? (…) Uma vez que vai brincar com o perigo, só entre nessa ao lado de alguém em quem confie completamente. Estabelecendo regras, o resultado será prazer em último grau.”

No contexto BDSM, existe a “Palavra de Segurança” (“safeword”). O escravo quando não agüenta mais, diz a palavra, sinalizando ao Dominador que chegou ao limite. Alguns casais usam duas palavras de segurança: uma para interromper a sessão e outra para que o Dominador maneire um pouco no que está fazendo: por exemplo, diminuir o ritmo das palmadas, dos pingos das velas, etc. Há casos de três palavras: a terceira é para interromper uma tortura que o escravo não suporta mais, e o Dominador então deve começar outra.

Entre os praticantes exaltados, há uma certa polêmica em relação à Palavra de Segurança. Já que pode interromper a sessão quando bem entende, dizem que o verdadeiro poder está nas mãos do escravo e não na do Dominador.

Gente, a Palavra de Segurança apenas confere ao escravo o controle da situação, mas não o domínio. O escravo pode dizer quando a sessão deve acabar, mas não diz o que o Dominador tem de fazer e como fazer.

Além do mais, esse “Poder” é totalmente fictício, só “funciona” dentro de uma sessão BDSM, que, agora você já deve ter percebido, é uma espécie de teatro ou RPG sexual, onde cada parceiro escolhe um papel e o segue até o fim. Um escravo numa sessão BDSM não continua sendo um escravo na “vida social”. Um bom Dominador tem plena consciência disso. A Rainha Frágil jamais me ordenaria a andar de quatro encoleirado no meio de uma rua movimentada. Ela separa a “vida BDSM” da “vida pública”. Além disso, sabe muito bem que eu me recusaria a fazê-lo. E eu tenho toda a permissão de questionar alguma ordem ou vontade sua se eu não me sentir seguro com tal ordem ou vontade.

Afinal, ela não é uma rainha de verdade, nem eu sou um escravo de verdade. Somos apenas duas pessoas que curtem praticar uma divertida e excitante fantasia sexual.

Por isso, mesmo sendo seu escravo, tenho também todo o direito de ter opiniões diferentes das dela, veja só…

Por isso, cuidado com quem leva o BDSM a sério demais!

E… nossa!, quanta coisa para uma matéria que considerei apenas “razoável”, hein?

Muita coisa ficou de fora. O BDSM é um universo imenso, excitante e apaixonante. Felizmente taí a bendita Internet para quem quiser se aprofundar mais nele. Alguns sites que indico aos iniciantes:

Desejo Secretohttp://www.desejosecreto.com.br
GasMaskhttp://gasmask.wordpress.com
Out of the Shadows: About BDSMhttp://www.sexuality.org/authors/lauren/AboutBDSM.html

Pra finalizar, parabéns à Revista Nova. A matéria é bem suscinta, informativa e despida de preconceitos comuns em artigos similares que leio em outras revistas. E, se foi capaz de me provocar – eu, que sou do “meio” -, então espero que tenha estimulado as leitoras interessadas em experimentar.

Mas lembrando: sempre de forma sã, segura e consensual.